Vou falar de um assunto que não dá fama, brilho, espetáculo ou medalha para ninguém. Mas pode dar muito mais para a comunidade, para o coletivo – sim, a Biblioteca Pública!
Dividi essa história em 2 partes: a biblioteca municipal de São Bento do Sapucaí hoje e a biblioteca visionária em que ela pode se transformar. Espero que me acompanhem.
Em 1971, a Lei Municipal n.154 destinava um crédito especial para equipamentos, mobiliário e acervo para a Biblioteca Municipal. Em 1991, a Lei Municipal n. 684 cria a Biblioteca Mestra Astrogilda de Assis Camargo. Essa coleção de livros, chamada de Biblioteca, passou por várias mudanças de prédios até chegar onde está atualmente,
Bem, e aí? O que temos hoje?
Certamente, não se tem um plano de trabalho, projetos para a comunidade, colaboração com as escolas, promoção da leitura, do conhecimento e da informação segura. Não existe uma curadoria de acervo – visto que nem todo livro serve para uma biblioteca pública e nem uma política de comunicação com a comunidade.
Para a promoção da leitura não basta ter estantes com livros. Há um esforço contínuo de conquistar os leitores, de interagir e mostrar às pessoas o que a leitura irá trazer para suas vidas. Ninguém entra em uma biblioteca sem ter algum estímulo ou atrativo que lhe encante. É a biblioteca que tem que ir atrás de seus leitores, conhecer suas necessidades e interesses e aí então criar vínculos.
Hoje, infelizmente, São Bento do Sapucaí não tem uma Biblioteca Pública. Vou deixar aqui alguns exemplos de bibliotecas de cidades do interior de SP que se reinventaram e são espaços vivos. Para isso contaram com contratação de profissionais capacitados (sim, os bibliotecários estudam na universidade durante 4 anos para obter os conhecimentos necessários). Contaram principalmente com o olhar diferenciado do poder público para fornecer os recursos necessários, o que não precisa ser muito.
No próximo texto, vou mostrar como a Biblioteca Mestra Astrogilda de Assis Camargo pode se tornar uma biblioteca visionária.Até lá!
Alguns exemplos de bibliotecas públicas vivas:
@amigosdabibliotecasfx – São Francisco Xavier (SP)
@bibliotecazink – Campinas (SP)
@carmenzpamplin – Pindamonhangaba (SP)
@bibliotecaparatodos – Campanha Nacional
Sobre a autora:
Solange Simões é natural de São Paulo e moradora em São Bento do Sapucaí. Tem formação em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, sempre atuando em bibliotecas, centros de memória e em defesa do acesso à leitura para todos.
