Coletivo Virando Sustentável: arte, comunidade e ação ambiental 

Em 2026, o Coletivo Virando Sustentável continua desenvolvendo uma série de ações conjuntas para enfrentar a problemática do lixo em São Bento do Sapucaí — uma questão que cresce continuamente e exige o envolvimento ativo da sociedade.

O Coletivo é uma organização ecologista comunitária, formada voluntariamente, cujo principal objetivo é a troca de conhecimentos relacionados à sustentabilidade e a democratização da informação no município de São Bento do Sapucaí, no Estado de São Paulo, Brasil.

Desde 2017, o coletivo desenvolve ininterruptamente ações voltadas para a produção e divulgação de conteúdos relacionados à sustentabilidade, qualidade de vida e modelos de economia participativa e solidária.

Por meio de diversas atividades e dinâmicas de participação cidadã, o coletivo se articula com organizações com objetivos afins, cidadãos comprometidos e espaços de cogestão com o Estado. Há mais de sete anos, suas ações de preservação ambiental e compromisso social constituem uma trajetória orientada para visibilizar, de uma perspectiva prática, a implicação da sociedade nos processos de degradação do meio ambiente e, fundamentalmente, a capacidade coletiva de intervir para reverter essa situação.

Desde o início, o trabalho do coletivo baseou-se numa perspectiva interdisciplinar – característica central de suas atividades. Consequentemente, seus eventos, programas e projetos articulam múltiplas abordagens para comunicar a urgência de se melhorar a relação entre sociedade e meio ambiente, bem como o cuidado com o território habitado.

Em 2025, o evento São Bento Sustentável adotou a questão dos resíduos como eixo transversal de todas as suas atividades. Nesse contexto, o coletivo fez um registro fotográfico e fílmico do funcionamento do Centro de Triagem do município, com o objetivo de visibilizar para a comunidade os processos de classificação de resíduos e promover melhorias nas práticas de separação domiciliar.

Partindo da ideia amplamente difundida — embora equivocada — de que o problema dos resíduos desaparece assim que eles saem do âmbito doméstico, o coletivo impulsionou a ação “Faces da Reciclagem”: um registro fotográfico e audiovisual do Centro de Triagem do município, orientado a evidenciar o fato de que os resíduos são geridos por pessoas, moradores da própria comunidade.

O levantamento permitiu identificar que os trabalhadores do Centro de Triagem e os coletores desempenham suas tarefas em condições precárias e que a separação incorreta de resíduos por parte dos cidadãos não apenas dificulta o trabalho cotidiano, como também implica riscos para sua saúde e segurança, podendo inclusive inviabilizar o trabalho durante vários dias.

Desde março de 2026, o trabalho de difusão desse registro audiovisual vem sendo realizado por meio das redes sociais do coletivo e de grupos comunitários de WhatsApp que conectam cidadãos são-bentistas.

No mês de maio o coletivo participou do grande evento esportivo Mountain Festival 2026. Na ocasião, o coletivo apresentou  a exposição e o curta-metragem “Faces da Reciclagem”, para que todos os participantes do festival pudessem conhecer o trabalho realizado no Centro de Triagem de São Bento do Sapucaí. Essa manifestação artística será exibida no próprio Centro de Triagem no dia 3 de junho de 2026 como parte da programação organizada pela prefeitura para celebração da Semana do Meio Ambiente 2026.

Dessa forma, o Coletivo Virando Sustentável propõe, por meio da arte, uma reflexão crítica sobre a gestão de resíduos, evidenciando que o lixo não desaparece, mas se inscreve numa trama social na qual outros — nossos próprios vizinhos — manipulam, classificam e geram aquilo que, como sociedade, descartamos.

Além disso, a decisão de mostrar os rostos dos trabalhadores do Centro de Triagem e dos catadores de resíduos constitui um gesto político e pedagógico central no projeto. Visibilizar aqueles que realizam diariamente o trabalho de gestão de resíduos — frequentemente invisibilizado, precário e socialmente desvalorizado — permite questionar as representações, hoje naturalizadas, do universo do lixo: um problema abstrato ou despersonalizado. Ao dar rosto e voz a esses trabalhadores, o projeto contribui para reconhecê-los como agentes fundamentais da sustentabilidade urbana e atores-chave na cadeia de gestão de resíduos.

Somado a esse trabalho artístico para difusão do processo de triagem, o coletivo também realizou a árdua tarefa de desenvolver uma cartilha sustentável para eventos. Grandes e importantes eventos acontecem cada vez com mais frequência em São Bento do Sapucaí. No entanto, o descuido em relação ao planejamento do lixo produzido e às formas de evitá-lo ainda é muito alto. Diante dessa problemática, o coletivo criou, junto a especialistas na área, uma cartilha que guia, informa e acompanha organizações, produtores e cidadãos que desejam realizar eventos, festas e encontros coletivos de maneira mais sustentável.

Com orientações que vão dos tipos de materiais e produtos sustentáveis possíveis de serem utilizados a recomendações econômicas e estratégias de redução de resíduos, o documento elaborado pelo coletivo é de livre acesso e fortalece o trabalho cidadão de proteção ao meio ambiente, incentivando práticas mais conscientes na realização de eventos.

Ao mesmo tempo, o coletivo se prepara para sua tradicional Feira Quatro Estações, que acontecerá no dia 6 de junho. Apostando na economia solidária, no trabalho artesanal e na troca cidadã, a temática desta edição será “Troca de Saberes e Fazeres”.

A feira contará com mais de 50 expositores, rodas de conversa sobre o papel dos artesãos na construção da cidadania e uma oficina especial sobre fogo e prevenção de incêndios.

Em parceria com a Fundação Florestal, o coletivo utilizará a feira como espaço de conscientização da população sobre o plano de ação “SP Sem Fogo 2026”, medidas de prevenção e orientações básicas sobre como agir em casos de incêndio.

Para poder desenvolver o imenso trabalho de construir, de maneira horizontal e coletiva, caminhos possíveis para enfrentar os desafios socioambientais contemporâneos,  o coletivo elabora propostas e atividades que buscam envolver os cidadãos do município de forma ativa, tendo a arte e suas múltiplas perspectivas como ferramenta fundamental para o desenvolvimento de novas alianças cidadãs.

Texto: Cokó Albarracín – Colaboradora do Portal A / Coletivo Virando Sustentável

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *